Elas deixaram a cracolândia e optaram pela recuperação

Um tempo de reflexão e recomposição ou a última chance dada por Deus. Essas são algumas perspectivas das residentes da Comunidade Terapêutico Élcia Barreto Soares, em Campos dos Goytacazes , que desde novembro de 2009 abriu suas portas para o tratamento de mulheres dependentes químicas. Além do vício, algumas têm em comum o lugar de onde vieram - a cracolândia paulista - e o fato de terem sido resgatadas pelo projeto Radical Brasil, da Junta de Missões Nacionais.

Taís (nome fictício), uma das residentes mais velhas, 48 anos, há 11 anos estava aprisionada pelo vício. "Comecei com a bebida e daí foi um pulo para o resto". Quanto mais se aprofundava nas drogas, mais distante da família e, consequentemente, próxima às ruas de São Paulo. Mas, como todo sofrimento tem o seu limite, não perdeu a oportunidade diante do convite para aceitar a Cristo na Missão Batista Cristolândia. "Não agüentava mais sofrer tanto e ver o sofrimento estampado no rosto dos meus filhos", comentou. Paradoxalmente, nesses casos, a dor levou ao alívio e à sensação de ser amada por Deus. "Não tenho palavras para expressar o que estou sentindo e sei que Deus é maravilhoso. Essas pessoas também [missionários]".

O exemplo de compaixão de voluntários e missionários tem gerado frutos de esperança no coração das internas. Renata (fictício), 43 anos, é um exemplo disso. Ela, que é ex-presidiária, teve o primeiro contato com as drogas em 2004. Mesmo com o alerta de seus familiares, envolveu-se cada vez mais com as drogas, chegando a traficar. Em momentos de desespero, Renata chegou a procurar a ajuda de Deus, quem conhece como Juiz das Causas Perdidas, mas não teve forças para continuar. Anos mais tarde, ao conhecer o trabalho dos voluntários do Radical Brasil, viu um caminho de retorno e almejou a mudança. Renata está em fase de reabilitação, mas seus sonhos nunca estiveram tão sadios. Quando sair da CT, deseja "ser uma verdadeira adoradora de Deus... quero trabalhar na obra como uma radical".

Da mesma forma, Juliana (fictício), 31, sonha em ser missionária "e poder fazer o mesmo que estão fazendo por mim". Há 12 anos no vício, nunca havia sequer cogitado a ideia de procurar uma igreja por acreditar que sua vida não teria mais jeito. Isso até que, numa manhã de segunda-feira, "um conhecido me chamou para tomar café e banho. Estava muito cansada e lá resolvi aceitar Jesus". Cansada do sofrimento do dia-a-dia optou pelo tratamento em Campos dos Goytacazes. "É difícil, mas gratificante por saber que vou poder chegar até a minha família sem sentir vergonha e ainda poder ajudar outras vidas". Sobre seus projetos futuros, ela declara: "Meu maior projeto é ser missionária".

Daniela (fictício) é a caçula das que vieram da cracolândia paulista, mas em seus 29 anos já passou por muitos problemas. Sua história nas drogas teve o dedo de uma "amiga", que a convenceu a usar, aos 18 anos. De usuária passou a traficante, mas, diante da presença da igreja na cracolândia, não resistiu ao apelo do Espírito Santo e se converteu. Diante da opção pela reabilitação, afirmou: "Estava cansada de sofrer... estava muito doente. Só Jesus pode me ajudar... preciso de um milagre". Na verdade, o milagre já está acontecendo e dando sinais de que se multiplicará. "Eu gostaria de continuar nesta obra e trabalhar para o Senhor. Quero voltar para minha família e criar meus filhos, casar, construir um Lar. Quero fazer faculdade e me aperfeiçoar na área de dependência química para ajudar vidas como a minha".


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