Pastores segundo o coração de Deus

Pr. Marcelo de Oliveira

A vocação espiritual é a mais sublime de todas as vocações que alguém pode receber. Deus chama pessoas diferentes, em momentos diferentes, em idades diferentes, para ministérios diferentes. Chamou Jeremias no ventre da sua mãe. Chamou Isaías em um momento de crise nacional. Chamou Pedro quando este era pescador. Chamou Paulo quando este perseguia e assolava a igreja.

O profeta Jeremias diz que Deus é quem dá pastores à igreja (Jr 3.15). O pastor não é um voluntário, mas uma pessoa chamada por Deus. Seu ministério não é procurado, é recebido. Sua vocação não é terrena, mas celestial. Sua motivação não está em vantagens humanas, mas em cumprir o propósito divino. Entrar no ministério com outros propósitos ou motivações é um grande perigo. O ministério não é um palco de sucesso, mas uma arena de morte. O pastorado não é uma plataforma de privilégios, mas um campo de serviço; não é uma feira de vaidades, mas lugar de trabalho humilde e abnegado.


O texto de Jeremias 3.15 encerra algumas lições, que mostraremos a seguir:

1) A escolha divina não é baseada no mérito, mas em sua graça.

Jeremias era uma criança quando foi chamado. Ele não sabia falar. Foi Deus quem colocou a palavra em sua boca. Deus o capacitou. Jonas era um homem que tinha dificuldade em perdoar os inimigos, e Deus o chamou e o enviou a fazer a sua obra, mesmo contra sua vontade. Paulo que era perseguidor e assolava a igreja de Deus, foi chamado de maneira sobrenatural na estrada de Damasco, e tornou-se o maior apóstolo, o maior teólogo, o maior missionário, o maior plantador de igrejas, o maior evangelista que a igreja conheceu. Foi a graça maravilhosa de Deus que o capacitou a fazer tão importante tarefa.

Portanto, o portal de entrada no ministério é a humildade.
Nenhum pastor pode fazer a obra de Deus de forma eficaz com soberba e altivez. A soberba precede a ruína. A vaidade é ante sala do fracasso. Toda glória que não é dada a Deus é glória vazia. Não estamos no ministério porque somos alguém, estamos para anunciar que o único que é digno de receber honra, glória e poder é o Rei dos Reis, nosso Soberano Senhor.

2) É Deus quem coloca os membros no corpo como lhe apraz.

Todos os salvos têm dons e ministérios no corpo de Cristo, mas nem todos são chamados para ser pastores. Não somos nós quem decidimos, mas Deus. Quem é chamado para esse sublime ministério não pode em hipótese alguma se orgulhar, porque nada temos que não temos recebido Dele.
Muitos pensam, que equivocadamente, que o pastor ocupa um lugar de destaque na hierarquia da igreja. O pastor não é maior do que o menor membro. Ele é servo de Cristo e servo da igreja. Aqueles que entram no ministério e tratam o rebanho de Deus com rigor excessivo, pensando que têm domínio sobre as ovelhas de Deus, estão incorrendo em um perigoso engano.

Temos visto com grande tristeza, como alguns pastores tentam blindar sua própria pessoa, vivendo em uma torre de marfim, acima do bem e do mal, não aceitando nenhum tipo de exortação ou correção por parte dos membros da igreja ou mesmo de seus obreiros. Defendem-se efusivamente, dizendo que ninguém pode tocar no “ungido do Senhor”. Desse modo, tiram o texto do seu contexto e usam a Palavra de Deus apenas para se protegerem ou para esconderem seus pecados. A liderança do pastor é apenas posicional. O pastor não é maior nem mais importante do que nenhuma outra pessoa no rebanho.

O profeta Jeremias diz que Deus dá pastores à sua igreja. Deus não apenas chama, mas especifica a missão. O que significa pastorear?

1) Pastorear é alimentar o rebanho de Deus com a Palavra de Deus.

Temos visto o empobrecimento de muitos púlpitos em nosso país. Há muitas novidades estranhas à Palavra de Deus que se infiltram na liturgia, na mensagem, na música e acabam debilitando a vida espiritual da Igreja. Há igrejas envenenadas com toda sorte de heresias. Precisamos denunciar que há morte na panela em muitos púlpitos de nossa pátria! Qual o motivo de tanta escassez? Acontece que seus pastores não estudam a Palavra. São pastores negligentes, preguiçosos, que pregam do vazio de sua mente e do engano do seu coração. O pastor precisa ser um incansável estudioso da Palavra. Ele precisa trazer alimento farto para o seu rebanho. Uma ovelha faminta fica inquieta e está sujeita a desviar-se para outros lugares, caso não seja alimentada corretamente.

2) Pastorear é proteger o rebanho de Deus dos lobos vorazes

Jesus alertou para o fato de o inimigo introduzir os filhos do maligno no meio do Seu povo, se a igreja estiver dormindo. O apóstolo Paulo alertou para o fato de os pastores estarem vigilantes para que os lobos vorazes não penetrem no meio do rebanho (At 20.29). Quando a igreja deixa de zelar pela ortodoxia bíblica, as novidades do mercado da fé entram na igreja e, nesse pacote, muitas vezes, vêm práticas e costumes estranhos à Palavra de Deus. Os pastores precisam examinar o que está entrando em suas congregações. Os pastores precisam analisar as letras das músicas que são cantadas, das revistas de escolas bíblicas, para não incorrerem em equívocos doutrinários.

Os pastores não devem dar o púlpito da igreja para indivíduos que, reconhecidamente, são descomprometidos com a fidelidade às Escrituras.
Muitas vidas foram enganadas através destes pseudopregadores, tendo famílias destruídas, lares desfeitos e outros danos maiores. O pastor deve ser cauteloso em ceder o púlpito de sua igreja, para pessoas das quais ele não conhece, que não possuem testemunho cristão e que não foram recomendadas por pessoas sérias e cuidadosas.

3) Pastorear é gostar do cheiro de ovelha.

A missão do pastor é apascentar. O pastor é alguém que convive com ovelha. A ovelha é um animal que não pode cuidar de si mesmo. Se ela desgarra do rebanho, torna-se presa fácil dos predadores. A ovelha precisa de pastor, e o pastor precisa estar perto da ovelha para socorrê-la em suas necessidades. É o pastor que a leva para os pastos verdes e as águas tranqüilas. É o pastor que atravessa os vales escuros com as ovelhas, dando-lhe segurança.
É o pastor que carrega no colo a ovelha fraca e resgata a que caiu no abismo. É o pastor que disciplina aquela que põe em risco a vida do rebanho. É ele que ensina, alimenta, orienta, protege, fortalece e consola as ovelhas. Seu papel não é esmagar a cana quebrada e nem apagar o pavio que fumega. O papel do pastor não é intimidar as ovelhas nem espancá-las por causa de suas falhas. O pastor age com a firmeza de um pai e com a doçura de uma mãe.


Eis a nossa oração: Óh Eterno, concede-nos pastores segundo o seu coração! Amém!


Pr. Marcelo de Oliveira

Supremacia das Escrituras

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