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Haiti: luta contra a miséria e o vodu

Haiti é o país mais pobre do continente americano. Com cerca de 10 milhões de habitantes, 80% da população é analfabeta ou analfabeta funcional. Apenas 9% das escolas haitianas são públicas. Os dados econômicos e sociais mostram ser praticamente impossível amenizar a miséria no país. Aproximadamente 80% de tudo o que é consumido no país é importado. A produção nacional não passa de 12,5%. Ficar doente no Haiti é sinônimo de peregrinação. O país tem apenas um leito de hospital para cada mil habitantes, e um médico para cada 10 mil. Quase todos os serviços de base, praticamente inexistentes, se concentram em Porto Príncipe, a capital do país. Cerca de 30% da população é evangélica e os outros 70% praticam o vodu ou o catolicismo. Muitas vezes por falta de conhecimento da verdade que liberta, Jesus Cristo, o haitiano procura no vodu a esperança para escapar da pobreza.

De acordo com informações do missionário da terra, no lugar do sangue de Cristo, o Haiti obteve a sua independência por meio de uma cerimônia onde todos os participantes beberam o sangue de um porco. Desde então, a cada novo mandato, um governante renova esse pacto com o diabo. Diante desse quadro inquietante que representa o país, a Associação das Igrejas Batistas do Haiti para a Missão Integral está preocupada com a sonolência da igreja haitiana. Estatísticas mostram que o número de evangélicos no país chega a 46%. Porém, dados da Associação indicam que o percentual de cristãos evangélicos está em, no máximo, 10%. Para o Pr. Jonathan, há muitos interesses, nem sempre corretos, que impedem os haitianos de verem o real estado do país e escutar o incessante apelo de Deus, que deseja utilizar a igreja como instrumento para a libertação espiritual. Ele lamenta a desunião dos líderes, pastores e organizações que não têm a mesma visão do Reino.

Outro problema, na opinião do missionário, é a fraqueza psicológica e mental dos haitianos. E isso é notório pela opressão que o vodu exerce no inconsciente coletivo da população, aliado aos índices de analfabetismo e pobreza. Surgiu, portanto, um povo moldado por uma consciência passiva e que permite, sem esboçar reação, a exploração. Isso tem, historicamente, impedido o povo de tomar a rota do desenvolvimento.

O Haiti lança seus gritos de socorro. Na visão do Pr. Jonathan, seu país é “o lugar onde o diabo tira férias”, pois está sendo destruído pela prática do vodu e pelo subdesenvolvimento. Porém, o Haiti está nos planos de Deus e Ele deseja utilizar cada crente para ajudar a fazer esta nação sair do cativeiro. “Jesus verteu seu sangue pela humanidade inteira, inclusive pelo Haiti. Por Cristo, iremos até o fim do mundo; por Cristo, venham para o Haiti, em direção a esse povo que, infelizmente, ainda ama o vodu no lugar de Deus”, convoca o missionário.

Missões Mundiais da CBB e a Associação das Igrejas Batistas do Haiti para a Missão Integral estão envolvidas em “defender um novo Haiti”. Mas, para isso, as igrejas precisam se despertar para que haja essa mudança sob o poder do Espírito Santo, pela unidade de seus líderes, pela conscientização, formação e ação para a transformação do país. Um novo pacto espiritual pelo sangue de Cristo é indispensável para a libertação do Haiti. E as oportunidades são muitas. Desde profissionais nas várias áreas da saúde, passando por educadores e por pastores que lecionem nos seminários, até atletas e especialistas em educação física para desenvolverem projetos evangelísticos através do esporte. Mas o fundamental, segundo o Pr. Jonathan, é que partam rumo ao Haiti os verdadeiros servos de Cristo – independentemente da função.

A oração do Pr. Jonathan deve ser repetida por cada crente durante a Campanha de Missões Mundiais em 2010. “Por Cristo, iremos até os confins da Terra, e isso inclui o Haiti, segundo 1Coríntios 9.23 e Atos 1.8. Faz-nos teus mensageiros, tuas sentinelas e permita que sejamos teus instrumentos para que um novo elo de unidade nos anime e que, juntos, de comum acordo, como uma comunidade de amor, possamos trabalhar por um novo Haiti”.


fonte:
www.porcristovou.org.br
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Afinal o que é VODU ou VUDU?


Bandeira do vudu


por:
Luiz A. Wormhoudt

O Vodu é uma religião oriunda da África, da região dos Yorubás e chegou ao Haiti, levado por escravos, em 1571.

É uma religião politeísta e seus deuses são chamados "AS LOAS", no feminino. Como no monoteísmo, existe uma entidade suprema e todos os demais deuses estão abaixo dela, mas nunca se reza ou se pede alguma graça a essa entidade suprema, pois ela está além de nossa capacidade humana e certamente não dispõe de tempo a perder com as atividades dos mortais.


O contato com o divino é feito através das loas. Muitos foram humanos e elevados a um nível superior para servirem a determinados propósitos. Em função de sua origem humana eles têm emoções e necessidades e precisam ser mimados como crianças para estarem quietos e felizes.

Como a maioria das religiões ancestrais, suas crenças eram fundamentalmente animistas, cultuando as entidades representativas das forças da natureza, os espíritos dos mortos e alguns animais e plantas. Por isso foi considerada uma manifestação pagã, e o voduismo se tornou proibido.

Sem outra opção, uma parte dos seguidores do Vodu, os da chamada parte branca, se fizeram "cristãos e por traz das imagens do cristianismo, faziam oferendas às suas Loas (Deuses).

Os da chamada parte negra do Vodu (correspondente à Quimbanda no Candomblé), foram perseguidos e tiveram que se manter escondidos, com cerimônias secretas e com sua cultura religiosa sendo passada de pai para filho.

Vodu é uma corruptela da palavra "Vaudoux", dada a um deus serpente com poderes de oráculo.

A maioria dos termos Vodu é em "Criolo", do idioma Haitiano, que combina o francês com o espanhol e o africano.

Atualmente já existem algumas influencias do "Patois", que é o criolo de Nova Orleans.


As Bonecas Vudu

As bonecas Vodu variam de acordo com a tribo que as confecciona. Não possuem um tamanho específico e podem ser feitas de diversos materiais, como: tecido, cera, madeira, argila, etc. São construídas com um propósito determinado e precisam de um testemunho do que representam.


Abaixo algumas bonecas de trabalho e de proteção:

Este tipo de boneca, com roupas longas e festivas, é utilizada para trabalhar os problemas de fertilidade da mulher ou para induzir no casal o desejo de terem filhos




Boneca utilizada para evocação de proteção ancestral.



Esta boneca mostra o trabalho do Vudu utilizando-se de outras técnicas de cura. Esta é uma boneca preparada para trabalhar com Reiki.



Boneca utilizada para aquietar mulheres muito rebeldes ou promíscuas.



Este boneco é utilizado para as mulheres terem o domínio sobre o homem ou para aquietar homens rebeldes ou promíscuos.



Boneca representativa de entidades, utilizada para proteção e para evocações diversas.







O Sincretismo Afro


Vudu, Candomblé e Santeria

Dada a necessidade de se "esconder dentro do cristianismo, acabou surgindo um sincretismo com as religiões africanas. As principais foram o Vudu no Haiti, o Candomblé no Brasil e a Santeria (O Caminho dos Santos) em Cuba.

Os escravos que chegaram nesses países vinham de uma região hoje conhecida como Gana e de uma parte da Nigéria. A maioria era de etnia Yoruba e em seus rituais costumavam sacrificar animais. Por isso, não foi difícil para eles, aceitarem o princípio ritual do sacrifício do cordeiro na missa católica.

Seus deuses começaram a se identificar com alguns santos católicos que tinham características semelhantes.

Os espíritos não são entidades individuais, mas sim combinações de personalidades com várias entidades relacionadas.

Na Santeria existe uma entidade chamada de "Orisha e no Candomblé chama-se "Orixá que é um deus em forma de serpente, bastante semelhante ao Vudu. O deus Yoruba da caça é "Ogou", no Vodu é "Ogoun e no Candomblé "Ogum", entidades do ferro e guerra, identificados no Haiti como Santiago Maior e no Brasil como São Jorge. "Xangô para os Yorubas é o deus do fogo e do trono, que se transformou em Santa Bárbara e, no Brasil em São Gerônimo.

Existem perto de 400 entidades menores, mas somente uma entidade maior. Esta entidade é chamada de "Olorun", "Olodumare ou "Olodum", que é o Soberano do Universo.



Os Deuses(as loas) do Vuduismo


SHANGO - Deus do fogo e do raio.

ORULA - Deus do destino.

ELAGA - Deus dos viajantes.

OBATALA - Deus do bem.

IEMAYA - Deusa das águas e do mar.

ESHU - Deus da vingança.

ALEGDA - Deus dos males. É malvado e temido, mas é também o deus da vida.

LEGBA - Deus do portal entre os mundos dos mortais e o transcendental. É, portanto, o responsável pelo trânsito entre as entidades e os mortais seus protegidos. É também o senhor dos encantamentos e um dos deuses que conhecem o futuro e o destino das pessoas e do universo.

SAMBAYAH DAMBAYAH WEDO (Danhomey) - Significa o ventre da serpente sagrada. DAN, o deus serpente o arco íris. É o deus do dinheiro. O que reparte a fortuna. Prefere os lugares úmidos e é particularmente valorizado e de importância vital para os seguidores do Vodu. Diz a lenda que algumas vezes DAN resolve sair da terra e ir paro o céu. Quando ela se separa da terra e se une a abóbada celeste, deixa um presente para os homens e aquele que o encontrar terá riquezas e felicidade enquanto viver. Uma vez no céu, retira suas vestes molhadas e as coloca nas nuvens para secar, fazendo aparecer o arco íris.

AGUE-TRAOYO - Deus do mar e protetor dos marinheiros.

OGU - Deus guerreiro. Galos negros, brancos e cachorros são os principais sacrifícios para este Loa.
É o deus que conhece todos os segredos da fusão dos metais. Ogu significa ferreiro, e para a religião Vodu, Ogu é o mesmo que Marte e Vulcano eram para os romanos. É também o deus da política e responsável por todos os acidentes.

SAKAPTA - Deus das pragas e das enfermidades. Deve ser muito respeitado, pois em sua ira pode dizimar famílias e mesmo cidades inteiras.

ELIZI FREDA DAHOMEY - Deusa sexual, amante do luxo e do prazer. É tida como a versão negra da deusa grega Afrodite. Antigamente era somente a deusa da fertilidade, atualmente é também o ideal do amor. Bela, caprichosa, atraente e sedutora, já conquistou todos as loas do panteão Vodu. Nos enredos de suas experiências amorosas, quase sempre ELIZI sai insatisfeita e nunca saciada de seu eterno desejo de ser amada.

GUEDES - Deuses da morte. De natureza ambivalentes, muitas vezes espantosos e outras ridículas


Dança e Rituais





Existem valores sagrados e mágicos agregados à dança, na tradição religiosa do Vudu. Através da dança, os movimentos do corpo humano adquirem a faculdade de assumir os atributos e poderes dos animais, dos fenômenos meteorológicos ou de qualquer outra ação que se imita ao dançar. Para o Vudu, as danças são essenciais. É através dela que o homem tenta entrar em comunhão a natureza e expressar-se com todo o seu ser para acolher a loa (deus) que se manifestará por ele.

Não existe uma separação clara entre a dança sagrada e a profana, uma vez que é unicamente a expressão de sentimentos. A dor, o sofrimento, o amor, a alegria, a vida ou o luto, se concentra tanto no canto quanto na dança, como se a alma humana se liberasse assim, de todos os seus pesos e temores.

A diferença entre as danças deve-se unicamente à entidade e o ritual que está sendo celebrado. Geralmente as danças profanas, obscenas e alegres são reservadas às loas GUEDES, os senhores da morte, como que para ao ritmo da musica e da dança, recordar aos homens o triunfo do erotismo, da alegria e do simples viver, sobre a morte.

Nos rituais YAMVALU são evocados os movimentos sinuosos da serpente, são danças lânguidas para o deus serpente.

Os ritmos dos tambores (sagrados, durante as cerimônias) são considerados como palavras dos espíritos e seu compasso pode se alterar de triste para alegre, de vivaz para lúgubre, dependendo da entidade que o está utilizando.

Os tambores rituais são fabricados com troncos escolhidos, peles sem defeitos, com muito esmero e durante o processo de fabricação são celebrados ritos especiais no intuito de trazer uma alma própria para esses instrumentos.


Os três principais ritos do Vudu são:

Rada - que é direcionada à aristocracia das loas africanas. Suas entidades são mantenedoras e protetoras da estabilidade das famílias, das tribos e de todo o universo. São rituais de muito prestigio e autoridade, mas são de muita benevolência e tolerância. Para estes rituais são utilizados três tambores feitos de couro de boi.

Petro - as loas destes rituais, são muito mais inflexíveis e maus, podendo inclusive, chegar à crueldade. Neste ritual fluía toda a raiva e sede de vingança dos escravos e onde deixavam descarregar toda sua agressividade reprimida, típica dos que sofrem violências, abusos, humilhações e injustiças. As loas assumem uma imagem justiceira e colérica que pode se desviar para a intransigência e crueldade desenfreadas. Nesses rituais são utilizados dois tambores de pele de cabra.

Zandor - são os rituais mais secretos do Vuduismo. Pouco se encontra na literatura sobre esses rituais e mesmo assim deixam muito espaço para os mitos e para a fantasia. Muitos estudiosos dessa religião consideram esses rituais como variantes dos outros dois, dada a falta total de documentação e do silêncio que o envolve. Os mais devotos acreditam que nesses rituais, os iniciados adquirem a capacidade de se transformarem em animais, em função da ingestão de sucos de plantas medicinais de conhecimentos específicos de certas entidades.

O Vudu é mau?

Assim como em todas as atividades humanas, o Vudu também possui seu lado bom e o seu lado mau. Mas o Vudu nada tem a ver com os "Zumbis", os mortos-vivos, mostrados de forma leviana pela indústria cinematográfica Holliwodiana.

O que acontece é que os escravos que se juntavam para praticar seus cultos e sacrifícios, aproveitavam para discutir sua libertação da condição de escravos e seus "amos", juntamente com o clero, atribuíam atividades demoníacas a esses cultos, como desculpa para coibi-los.

O Vuduismo é uma religião, em principio, voltada para o bem de seus praticantes, para a felicidade da comunidade e principalmente para a cura de males do espírito e doenças em geral.

Como dito acima, sendo uma atividade humana, existem sempre aqueles que procuram trabalhar em beneficio próprio, mesmo em detrimento da saúde, prosperidade ou felicidade de outrem. Felizmente, são estes uma minoria insignificante perto da grandeza da religião como um todo e infelizmente, assim como na Umbanda, essa minoria acaba por denegrir todo o trabalho de uma irmandade.



A Magia Negra

"Ou se está com Deus ou com o Diabo..."
Não se pode servir dois amos de uma só vez.

Os trabalhos de magia negra não estão voltados somente para o mal, como muitos podem imaginar. Não importa a que divindade se serve, essa divindade irá sempre proteger seus fiéis. Aqueles que trabalham com a magia negra, dela farão uso sempre que quiserem proteger, curar ou ajudar a si próprios ou aos seus entes queridos.

Assim como os adeptos da magia branca, teoricamente os fieis às boas entidades, procuram se proteger dos adeptos da magia negra, estes também procuram se proteger contra a magia branca. Fica, porém, muito difícil saber quando um trabalho é de magia branca ou negra, uma vez que o diferencial principal entre elas é o sentimento por traz da ação, ou seja, é o homem quem determina a qualidade da magia. As entidades não são boas nem más, apenas são.

Os trabalhos conhecidos como de magia negra são muito mais simples de se executar e muito mais rápidos e eficazes para agir. Isto se dá por que o humano está muito mais voltado para as riquezas e prazeres mundanos do que para a beatitude divina, e a maioria dos que se dizem adeptos do divino são incapazes de recusar riquezas e prazeres se lhes são oferecidos.



Bibliografia

Notas Sobre o Culto aos Orixás e Voduns
Verger, Pierre
Ed. Edusp - 1999

Vudu e a Arte no Haiti
Sheldon Williams
Portugues (Brasil), 455581

Vudu, O
Hans Krofer
Portugues (Brasil), 216410

Do Vudu à Macumba
Neves,Marcia C A.
Icone Ltda,Editora.

Vodou Visions: An Encounter with Divine Mystery
Sallie Ann Glassman
Paperback - May 2000

Tell my Horse : Voodoo and Life in Haiti and Jamaica
Zora Neale Hurston, Ishmael Reed
Paperback - February 1990

Secrets of Voodoo
Milo Rigaud, et al
Paperback - December 1985

Varieties of African American Religious Experience
Anthony B. Pinn
Paperback - November 1998


Não se deve servir a dois senhores...


Autor:
Luiz A. Wormhoudt

www.ibpta.com.br
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