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Nosso Lugar de Refúgio





Vivemos num mundo pervertido, onde enfrentamos constantemente um exército de tristezas e problemas. Grande parte de nossa vida é gasta em chorar os males presentes e passados ou em temer os que ainda estão no futuro.

Ora, existe um firme alicerce de paz e segurança para aqueles que experimentam tais aflições em favor de outros, ou que, pessoalmente, enfrentam tais perigos. Jesus Cristo é um refúgio em qualquer situação; há uma base para apoio racional e paz, na pessoa dEle, sem importar o que nos ameace. Aquele cujo coração está firmado e confiante em Cristo, não precisa temer más notícias. “Como em redor de Jerusalém estão os montes” (Sl 125.2), assim está Cristo em derredor daqueles que nEle confiam.

Vejamos como Jesus Cristo é um alicerce suficiente para a paz e a segurança.
Cristo comprometeu-se a amparar todos aqueles que O temem, contanto que O busquem. Essa é a obra na qual Ele se empenhou antes mesmo da fundação do mundo. É o que sempre ocupou seus pensamentos e intenções; desde a eternidade, encarregou-se de ser o refúgio dos temerosos.

Sua sabedoria é tal que jamais tomaria sobre Si um encargo para o qual não fosse idôneo. Aqueles que estão aflitos e na tormenta do medo, se vierem a Jesus Cristo, serão libertados de seus temores, pois Ele tem prometido protegê-los. Ele disse aos seus discípulos: “Não temais” (Mt 10.31).

Cristo, por sua livre vontade, se tornou a garantia daqueles que nEle confiam. Espontaneamente se colocou no lugar deles. Por sua própria iniciativa, encarregou-Se de ser o responsável por eles, como o bom pastor que dá a vida pelas suas ovelhas (Jo 10.11).

Se estão em Cristo Jesus, a tempestade dos problemas recai sobre Ele e não sobre aqueles; assim como quando estamos debaixo de um bom abrigo, a tempestade que deveria cair sobre nossas cabeças, cai sobre o abrigo.

Cristo foi escolhido e encarregado pelo Pai para essa obra de amparo das almas desamparadas. Jesus Cristo quis que a ira do Pai fosse descarregada contra sua própria cabeça, e não sobre nós, miseráveis pecadores.

Por muitas vezes, Cristo é chamado de eleito de Deus, ou seu escolhido, por haver sido selecionado pelo Pai para essa obra. Os nomes “Messias” e “Cristo” significam “ungi- do”, porquanto Deus O nomeou e capacitou para a tarefa de salvar o seu povo. Cristo disse: “A vontade daquele que me enviou é esta: que todo aquele que vê o Filho e crê nele tenha a vida eterna” (Jo 6.40 - ARC).

No tocante à salvação, se estamos em Cristo Jesus, a justiça e a lei passam de largo com respeito aos nossos pecados, sem nos atingir. A razão do medo e do desespero do pecador é a justiça e a lei de Deus. Cada letra e cada sinal da lei têm de ser cumpridos (Mt 5.18). É mais fácil que o céu e a terra sejam destruídos do que a justiça não venha a ser executada; não há possibilidade de que o pecado escape à justiça.

Mas, se a alma trêmula e desesperada, temerosa da justiça, correr para Cristo, encontrará nEle um esconderijo seguro. “De maneira que a lei nos serviu de aio para nos conduzir a Cristo” (Gl 3.24). Cristo sofreu o golpe da justiça, e a maldição da lei caiu toda sobre Ele; Cristo sofreu toda a vingança que se destinava ao pecado que cada um de nós cometeu. “Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se ele próprio maldição em nosso lugar” (Gl 3.13).

Portanto, se Cristo sofreu pelo crente, já não é necessário que este sofra; e por que teria o crente de temer? Se aqueles que temem se aproximarem de Cristo, nada mais terão a temer das ameaças da lei. Ela não lhes diz respeito.

O amor de Cristo, sua compaixão e misericordiosos cuidados são tais, que podemos ter a certeza de que Ele está pronto a receber todos quantos vêm a Ele. Ele é tão cheio de amor e bondade, que está disposto a nada menos que nos receber e defender, se formos a Ele. “O que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora” (Jo 6.37). Cristo está mais do que pronto a compadecer-se de nós. Seus braços estão abertos para receber-nos. Deleita-Se quando almas desesperadas O procuram.

A excelência de Cristo é mais do que suficiente e satisfatória para a alma. A alma busca aquilo que lhe é superior. A alma carnal imagina que as coisas terrenas são excelentes. Alguns dão mais valor às riquezas, outros têm na mais alta estima as honras, e, para outros, os prazeres carnais parecem ser os mais revigorantes. Porém, a alma não pode achar contentamento em nenhuma dessas coisas, pois cedo descobre o fim daquilo que lhe dava algum consolo.

A verdadeira excelência acha-se em Jesus Cristo, e quando os homens chegam a conhecê-la, sua busca termina, e suas mentes encontram o descanso. Em Cristo, as suas mentes vêem uma glória transcendente e agradável. Percebem que até então estiveram perseguindo sombras, mas que, agora, encontraram a substância, a realidade. Antes, buscavam a felicidade num riacho, mas agora encontraram-na no oceano. É exata- mente como Cristo prometeu. “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei” (Mt 11.28).

A manifestação do amor de Cristo dá à alma satisfação abundante. Entre amigos terrenos têm havido exemplos de grande afeição. Mas nunca houve amor igual ao de Cristo para com os crentes.

Sendo Ele o caminho para o Pai, há nEle provisão para satisfazer e contentar a alma sedenta e ansiosa. Estamos naturalmente separados de Deus por causa de nossos pecados; e Deus está longe de nós — nosso Cria-dor não está em paz conosco. Em Cristo, porém, há um meio de livre comunicação entre Deus e nós, a fim de que possamos ir a Deus e de que Ele se comunique conosco pelo Espírito Santo.

Jesus deixou isso claro, ao dizer: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim” (Jo 14.6).

Cristo infunde forças e um princípio vital e novo na alma cansada que apela para Ele. O pecador, antes de vir a Cristo, está tão enfermo quanto um homem enfraquecido e esgotado, cujo organismo tenha sido consumido por grave enfermidade. Está cheio de dores e tão fraco, que não pode andar nem ficar de pé. Por isso, Cristo é comparado a um médico. “Os sãos não precisam de médico, e sim os doentes” (Mt 9.12). Quando Ele vem e profere uma palavra, instila um princípio vital naquele que antes estava morto (Jo 11.25-26). Ele transmite o início da vida espiritual e o começo da vida eterna.

Cristo proporciona o seu Espírito, o qual acalma o coração e é como uma brisa refrescante. Ele outorga aquela força mediante a qual ampara as mãos prostradas e fortalece os joelhos débeis.

Cristo dá profundo consolo e gozo àqueles que vêm a Ele, e isso basta para que se esqueçam de toda a luta anterior. Um pouco da paz verdadeira, um pouco da alegria do evidente amor de Cristo, um pouco da esperança da vida eterna são todo-suficientes para compensar toda a luta e a fraqueza e para apagá-las de nossa memória. Essa paz, que resulta da verdadeira fé, ultrapassa o entendimento e é um gozo inefável (Fp 4.7).

Considere a Cristo como um remédio para as suas aflições. Você não precisa de asas de pomba para voar a um refúgio distante e descansar, pois Cristo está bem perto.

Não é mistério realizar prodígios para obter esse descanso. O caminho está desimpedido. Basta vir a Cristo; é suficiente sentar-se à sombra dEle, a “grande rocha em terra sedenta” (Is 32.2). Cristo não exige dinheiro em troca de sua paz. Mas chama-nos para O buscarmos livremente e sem preço. Ainda que pobres e sem dinheiro, podemos ir a Ele. Cristo não se dá por aluguel; Ele deseja tão-somente outorgar-lhe esse descanso. Como Mediador, sua obra consiste em dar descanso aos exaustos. E nisso Ele se deleita.

Há em Cristo descanso e doce refrigério para aqueles que estão cansados das perseguições. A maior parte do tempo, o povo de Deus tem sido perseguido neste mundo. Há intervalos ocasionais de paz e prosperidade, mas geralmente acontece ao contrário.

Satanás tem usado de grande malícia contra o povo de Deus, na medida em que esse povo procura seguir a Deus. Assim, por muitas vezes, o povo de Deus tem sido extremamente perseguido, e milhares têm sido condenados à morte. Satanás está sempre pronto, “como leão que ruge procurando alguém para devorar” (I Pe 5.8).

Cristo tem se dado a nós para ser tudo aquilo de que precisamos. Necessitamos de vestes, e Cristo não apenas nos dá vestes, mas também a Si mesmo, para ser a nossa vestimenta. “Porque todos quantos fostes batizados em Cristo, de Cristo vos revestistes” (Gl 3.27).

Em Cristo há provisão para satisfação e pleno contentamento das almas sedentas e necessitadas. Cristo é “como ribeiros de águas em lugares secos” (Is 32.2 - ARC) ou em um deserto ressequido, onde há grande escassez de água e os viajantes morrem de sede.

Cristo é um rio de águas, pois há nEle uma plenitude tal, uma provisão tão abundante, que satisfaz a alma mais necessitada e ansiosa. Cristo é suficiente não só para uma alma sedenta, mas também é a fonte que nunca seca, sem importar quantos venham a Ele. Um homem sedento não esgota esse rio, ao saciar nEle continuamente a sua sede. “Aquele, porém, que beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede; pelo contrário, a água que eu lhe der será nele uma fonte a jorrar para a vida eterna” (Jo 4.14).

Como somos felizes quando nossos corações ficam persuadidos a se achegarem a Jesus Cristo! Oh! Que sejamos persuadidos a nos ocultarmos nEle! Que maior segurança poderíamos desejar? Ele se comprometeu a defender-nos e salvar-nos.

Nada temos a fazer, além de descansar nEle calmamente. Aquiete-se e veja o que o Senhor Jesus fará por você. Se tiver de haver sofrimento, esse será da parte do Senhor Jesus, por você; nada terá de sofrer. Se alguma coisa tiver de ser feita, Cristo há de fazê-la. Você nada terá de fazer, além de permanecer quieto e olhar. “Mas os que esperam no SENHOR, renovam as suas forças” (Is 40.31).



Jonathan Edwards
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Sem lugar - Indesejado!



"E ela deu à luz o seu filho primogênito, enfaixou-o e o deitou numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na hospedaria" (Lc 2.7).

Comovidos, costumamos ler essa passagem das Escrituras no Natal. O evangelista Lucas pesquisou acuradamente os fatos, buscando informações em fontes fidedignas, consultando testemunhas oculares, para então escrever o relato do nascimento de Jesus.


A penosa viagem



Viajar de Nazaré a Belém significava percorrer 120 quilômetros pelo caminho direto ou escolher a rota mais longa pelo vale do Jordão, de 160 quilômetros. Na foto: vista atual de Nazaré.

O recenseamento ordenado por César Augusto e o registro dos judeus tinha de ser realizado na cidade de origem de cada um. Esse foi o motivo aparente da viagem de José e Maria a Belém. Na época, ninguém imaginava que tanto o imperador quanto o casal de noivos tinham que seguir o plano de Deus. Viajar de Nazaré a Belém significava percorrer 120 quilômetros pelo caminho direto ou escolher a rota mais longa pelo vale do Jordão, de 160 quilômetros. De qualquer modo, a viagem certamente foi penosa, especialmente para Maria, que estava no final da sua gravidez. Segundo a lei mosaica, um casal de noivos estava comprometido e tinha de casar. Portanto, como noivo de Maria, José tinha obrigação de fidelidade, que lhe era imposta legalmente, do mesmo modo como se já estivesse casado. José, obediente à lei, não teve relações sexuais antes do casamento, pois era considerado um "tzadik" (justo). Jesus não teve pai físico, pois havia sido gerado pelo Espírito Santo (Lc 1.35). Quem afirma o contrário coloca-se contra a verdade e, desse modo, contra a Palavra de Deus. Deus agiu de maneira singular e maravilhosa! Setecentos anos antes, Ele já havia mandado o profeta Isaías proclamar: "Portanto, o Senhor mesmo vos dará um sinal: eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho e lhe chamará Emanuel" (Is 7.14). Creiamos nesse sinal!

Na verdade, por precaução e consideração humanas, José deveria ter deixado Maria em casa devido à sua gravidez adiantada. Mas, deixá-la sozinha também seria perigoso. Além disso, como filha herdeira (Nm 27.1-11; 36.1-13), Maria tinha direito de propriedade em Belém (Beth-Lehem = Casa do Pão), sendo obrigada a viajar pessoalmente por causa da cobrança dos impostos. Tudo aconteceu segundo o sábio plano de Deus, pois Suas promessas tinham de se realizar.

Quantas paradas será que José e Maria fizeram em sua caminhada? A viagem deve ter levado ao menos cinco dias. Quando chegaram a Jerusalém, certamente admiraram o majestoso templo. Sem dúvida, eles também ficaram impressionados e olharam com respeito para o grandioso palácio do rei Herodes, nem imaginando que em breve Herodes representaria uma ameaça mortal para eles e seu bebê que ainda não tinha nascido. Jerusalém, porém, não era o destino de sua viagem. Eles tinham que ir a Belém. Assim eles continuaram andando, pois estavam com pressa, já que a data do parto se aproximava. Maria caminhava com muito esforço. Será que, mesmo assim, os dois passaram por "Ramat Rahel", para visitar o sepulcro de sua importante antepassada Raquel? Os judeus o fazem até hoje com muita reverência.

Finalmente eles avistaram Belém ao longe, no alto da colina! Agora estavam chegando ao seu lugar de origem! Tão próximos do alvo! Depois certamente eles olharam para os campos que se estendiam lá embaixo, no vale. Ali o jovem pastor Davi tinha pastoreado suas ovelhas. De Belém, sua cidade natal, percorrendo caminhos difíceis, Deus o conduziu ao trono. "David melech Israel" (Davi, rei de Israel)! Os dois exaustos caminhantes obviamente sentiam-se um pouco orgulhosos por serem descendentes da dinastia real. Você lembra o que o profeta Miquéias disse acerca de Belém em relação ao Messias? Setecentos anos antes, Miquéias já havia anunciado Seu lugar de nascimento, Sua genealogia e Sua origem, proclamando que Ele seria Rei de Israel: "E tu, Belém Efrata, pequena demais para figurar como grupo de milhares de Judá, de ti me sairá o que há de reinar em Israel, e cujas origens são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade" (Mq 5.2). Então chegaram a Belém! Sua única preocupação era achar um quarto! Mas, "não havia lugar para eles na hospedaria"! Em canto algum eles acharam um lugar onde pudessem ficar. As estalagens estavam superlotadas, e era inútil esperar que algum dos proeminentes da cidade viesse lhes oferecer abrigo. Não é difícil imaginar a angústia de Maria, sabendo que estava para dar à luz a qualquer momento e não encontrava um espaço para ficar. – Não havia lugar para o Filho de Deus! Como isso podia estar acontecendo? Eles sempre tinham confiado em Deus e em Sua ajuda. Com a pobreza eles já estavam acostumados, e não exigiam muito para seu conforto pessoal.



Como filha herdeira, conforme a lei mosaica, Maria tinha direito de propriedade em Belém, sendo obrigada a viajar pessoalmente por causa da cobrança dos impostos.

Na foto: vista atual de Belém.

A situação foi ficando muito difícil. Como era possível que em sua cidade natal não houvesse um único lugar, um refúgio para eles!? "Que se cumpra em mim conforme a tua palavra" (Lc 1.38), havia sido a resposta humilde e cheia de confiança de Maria quando o anjo Gabriel lhe anunciara o nascimento do Messias. Mas agora, o que seria deles? – Finalmente acharam um espaço abrigado, com uma manjedoura usada para alimentar os animais. O lugar era primitivo, mas justamente ali aconteceu o nascimento de Jesus! Tal coisa é quase inimaginável! Conforme os planos eternos de Deus, o Unigênito Filho de Deus veio ao mundo em uma estrebaria! Isso não parece indigno? Não sabemos se realmente havia animais ali, como muitos pintores costumam retratar a cena. Essa imagem, acrescida de anjinhos de bochechas rosadas, confere uma aura romântica ao acontecimento, mas a realidade foi extremamente dura.

A identidade de Jesus

Sabemos realmente quem é Jesus? Jesus não foi apenas o "doce menino" na manjedoura, como se costuma cantar no Natal, pois Suas "origens são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade" (Mq 5.1). Ele "...vem das alturas... Quem veio de céu está acima de todos" (Jo 3.31). E o testemunho que Ele dá a Seu próprio respeito é: "...glorifica-me, ó Pai, contigo mesmo, com a glória que eu tive junto de ti, antes que houvesse mundo" (Jo 17.5). A Bíblia diz dEle em Colossenses 1.15-17: "Este é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação; pois, nele, foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio dele e para ele." Portanto, Jesus foi criador do universo juntamente com Seu Pai celestial. "Ninguém jamais viu a Deus; o Deus unigênito, que está no seio do Pai, é quem o revelou" (Jo 1.18). Isso explica a unidade entre Jesus e Deus e a segurança em Deus que Jesus tinha. Jesus nasceu como homem por amor a nós, para que Deus se tornasse acessível aos homens: "E quem me vê a mim vê aquele que me enviou" (Jo 12.45). Ele veio para nos salvar e nos livrar do mal. Não podemos olhar para a manjedoura sem dirigir nossos olhos também para a cruz do Calvário, onde Ele entregou Sua vida por nós. Jesus é mais forte que a morte, pois ressuscitou dos mortos, vive e está assentado no trono à destra de Deus como "Rei dos reis e Senhor dos senhores" (Ap 19.16). Manjedoura, cruz e coroa são inseparáveis! Ele diz: "Eu sou o Alfa e o ‘mega, o Primeiro e o último, o Princípio e o Fim" (Ap 22.13).

A volta de Jesus é iminente – primeiro para arrebatar os Seus e depois em grande poder e glória para estabelecer Seu reino de paz em Israel: "Porque convém que ele reine até que haja posto todos os inimigos debaixo dos pés" (1 Co 15.25). Ninguém consegue descrever, nem mesmo aproximadamente, a identidade e a glória de Jesus, seja em prosa ou em verso, em pinturas ou desenhos. É impossível descrever coisas celestiais com meios humanos. Hebreus 1.3 apresenta Jesus como sendo o resplendor de Deus: "Ele, que é o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser, sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, depois de ter feito a purificação dos pecados, assentou-se à direita da Majestade, nas alturas."

Os magos do Oriente devem ter percebido alguma coisa da majestade e da glória de Jesus quando O adoraram. Quanto mais motivos temos nós, que fomos reconciliados com Deus pelo Seu precioso sangue, de louvá-lO e adorá-lO!

O Filho de Deus torna-se Filho do Homem

Agora o Filho de Deus estava deitado em uma manjedoura, em que se dá alimentos aos animais: "E o Verbo se fez carne e habitou entre nós..." (Jo 1.14). Cumprida estava a profecia: "Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o governo está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz" (Is 9.6). Essas não são apenas expressões insuperáveis, pois elas também caracterizam Seu verdadeiro Ser e Seu caráter divino.

Foi dessa maneira que Jesus, cujo nascimento comemoramos (apesar de sabermos que ele não ocorreu no dia 25 de dezembro), começou Sua carreira terrena: "Veio para o que era seu, e os seus não o receberam" (Jo 1.11). Sem lugar na hospedaria! Sem lugar no que era Seu! A maioria das pessoas não reconheceu Sua origem divina, nem Sua glória e que Ele era o Messias. No final da Sua jornada terrena, chegaram a gritar: "Crucifica-O!" "Não queremos que este reine sobre nós." "Fora com este!" (Mc 15.13; Lc 19.14; 23.18). Mas mesmo assim a Escritura tinha de se cumprir, como previu Isaías: "Era desprezado e o mais rejeitado entre os homens; homem de dores, que sabe o que é padecer; e, como um de quem os homens escondem o rosto, era desprezado, e dele não fizemos caso" (Is 53.3).

Ficamos com muita pena do casal na estrebaria em Belém? Espero que sim! Mas isso não pode ser tudo! Quem olha para o acontecimento na estrebaria de Belém apenas com compaixão, da perspectiva humana, não capta nada da história do Natal e não tira proveito dela. A dimensão divina, porém, é bem diferente: o Filho amado e unigênito de Deus, que também era "filho de Davi", em quem Deus se comprazia, estava predestinado desde a eternidade a trazer a salvação para os homens. Somente por esse caminho, através de Jesus, podemos ser libertos das amarras do pecado. Única e exclusivamente o Filho amado de Deus, que teve de morrer como malfeitor no meio de malfeitores, sobre o maldito madeiro do Calvário, é que conseguiu realizar a expiação pelos nossos pecados, derramando Seu sangue. Quem crê nisso e, pela fé, toma posse dessas verdades, pode cantar alegre e grato: "Tempo santo de Natal! É nascido o Cristo, o Salvador!"

Oh! insondável amor de Deus!

Quanto deve ter custado a Deus entregar Seu amado Filho por amor a nós?! Ele sabia que estava enviando Seu Filho para o meio de malfeitores e transgressores, que acabariam matando-O. Qual foi, então, o motivo que O levou a agir assim? Foi Seu imensurável amor por nós! João tenta descrever o quanto Deus ama o Filho, quando diz que Jesus "... está no seio do Pai" (Jo 1.18). O "seio do Pai" simboliza aconchego, lar, proteção e o centro da vida eterna de Deus. Foi o profundo e eterno amor de Deus que O levou a enviar Seu Filho a nós, miseráveis criaturas: "Vede que grande amor nos tem concedido o Pai, a ponto de sermos chamados filhos de Deus..." (1 Jo 3.1). Pessoa alguma, nem a mais religiosa ou piedosa, consegue descrever, nem aproximadamente, o amor de Deus e de Jesus por nós. Jesus é o dom de Deus a uma humanidade perdida, corrompida e presa no emaranhado do pecado! "Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça mas tenha a vida eterna" (Jo 3.16). Deus, ao enviar Seu presente, Jesus Cristo, a este mundo, pensava em você e pensava em mim. Aceite esse presente, pois ele é para você pessoalmente! Somente um coração humilde consegue compreender essas dimensões do amor de Deus e irá adorar de joelhos, agradecendo por esse presente imerecido. Que essa seja sua alegria de Natal bem pessoal, levando a celebrar essa festa de coração agradecido! "Evidentemente, grande é o mistério da piedade: Aquele que foi manifestado na carne foi justificado em espírito, contemplado por anjos, pregado entre os gentios, crido no mundo, recebido na glória" (1 Tm 3.16). Com essas afirmações compactas, o apóstolo Paulo descreve o mistério da fé. O que devemos crer e aceitar em adoração é esse amor de Deus em Seu Filho Jesus Cristo, que salva a toda e qualquer pessoa que se achegar a Ele!

Sem lugar – indesejado?

Jesus – lá fora? Sem lugar em sua vida? Isso não pode ser verdade! Luz de velas, brilho, ceia festiva, presentes e muitas tradições natalinas não fazem o Natal. O Natal festejado apenas em função de coisas exteriores é uma farsa. Jesus precisa receber lugar em seu coração! "Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele" (Ap 3.20). Deixe que Ele entre em sua vida e habite nela através do Espírito Santo! Mas o príncipe das trevas não deseja que isso aconteça, ele não quer que haja o verdadeiro Natal em seu coração. Será que Jesus encontra lugar em seu coração? Em qual cantinho? Quanto espaço? Jesus Cristo diz: "Se alguém me ama, guardará a minha palavra; e meu Pai o amará, e viremos para ele e faremos nele morada" (Jo 14.23).

Jesus fez tudo por você, e por isso Ele quer todo o seu coração – Ele quer limpá-lo, purificá-lo, santificá-lo e alegrá-lo. Entregue-o a Jesus! Então também haverá lugar no céu para você. Haverá espaço para você onde Jesus está, onde Ele foi para nos preparar lugar (veja Jo 14.2).

Nesse sentido, desejo-lhe um abençoado Natal!

Burkhard Vetsch - www.ajesus.com.br
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